Tradução

Nós temos vivido em um estado de divisão.

Coisas ruins estão acontecendo porque, no nível da consciência, ainda somos extremamente rudimentares.

E, mesmo assim, falamos como se fôssemos donos das estrelas.

É como se uma parte do cérebro de cada pessoa tivesse sido separada do conhecimento de si mesma.

Somos como galinhas que acreditam ser deuses.

Carl Jung sabia que a próxima fase do desenvolvimento da humanidade envolveria justamente essa questão.

E é aqui que entra aquilo para o qual ele apontava: a união dos opostos.

Hoje, somos constantemente levados a escolher um lado.

A favorecer um lado e entrar em oposição ao outro.

Dizem a você o que fazer, o que pensar, em quem acreditar e de que lado ficar.

E chega um momento em que você já nem consegue ouvir o outro lado.

Isso produz mais neurose.

E eu não estou dizendo: “Eu não voto na direita” ou “a esquerda está certa”.

Não é sobre isso.

Segundo a perspectiva de Jung, quanto maior se torna essa divisão, mais o ser humano se perde dentro do seu próprio lado da divisão.

E é exatamente isso que vemos na política hoje.

A esquerda é alimentada por determinadas ideias, enquanto a direita é alimentada por outras.

Há uma espécie de programação mental que transforma tudo em oposição.

E isso gera ainda mais neurose.

Porque os seres humanos se perdem dentro do seu próprio lado da divisão.

Essa obsessão consigo mesmo se transforma numa espécie de ode narcisista ao próprio eu.

E, numa necessidade profunda de autopreservação, perdemos a capacidade de formar novas ideias, de crescer e de compreender aquilo que está do outro lado.

Essa obsessão depende da divisão para continuar existindo.

A própria identidade passa a nascer da oposição.

Você precisa de um “outro lado” contra o qual lutar para sustentar aquilo que acredita ser.

Em vez disso, a escolha seria reconhecer ou integrar as polaridades existentes dentro da própria mente.

Jung tinha uma visão.

Ele enxergava regiões da psique humana que estavam fora do nosso controle consciente: os impulsos inconscientes.

E, para ele, a transformação exigia trazer esses conteúdos para a consciência.

Não se trata de eliminar um dos lados.

Trata-se de compreender e integrar os opostos.

Porque é dessa integração que pode surgir algo novo.

É daí que pode nascer o crescimento.

Não apenas para uma pessoa, mas para a humanidade.